Skala dobra presença internacional em dois anos e mira mais de 100 países em 2027

Conhecida no Brasil pelos potes de creme de tratamento de um quilo, a Skala está construindo um negócio cada vez menos dependente do mercado doméstico. Em apenas dois anos, a marca saiu de uma presença em cerca de 40 países para mais de 80 e agora prepara uma nova etapa de expansão que deve levá-la a superar a marca de 100 mercados em 2027.
O plano é acompanhado por uma mudança importante na composição do negócio. Hoje, as vendas internacionais representam aproximadamente 15% do faturamento da Skala Brasil. A administração quer levar essa participação a 40% nos próximos três anos.
A transformação ocorre depois da entrada do fundo Advent International no controle da companhia, em 2024, e da formação do Grupo Bora Brasil, estrutura que reúne Skala Brasil e Lola From Rio. O objetivo deixou de ser apenas exportar produtos fabricados em Minas Gerais e passou a envolver uma operação comercial desenhada mercado a mercado.
Estados Unidos já são o segundo maior mercado da Skala
O exemplo mais avançado dessa estratégia está nos Estados Unidos. O país já é o segundo maior mercado da Skala, atrás apenas do Brasil, e a companhia afirma ocupar atualmente a quinta posição na categoria de tratamentos capilares.
Para crescer por lá, a empresa abriu estrutura própria e um centro de distribuição, além de estabelecer relações diretas com grandes varejistas, entre eles Walmart e Target.
A mudança reduz a dependência de distribuidores responsáveis apenas por importar produtos e permite que a companhia participe mais de perto de decisões de preço, portfólio, marketing e posicionamento.
Essa estrutura é relevante porque o produto que funciona no Brasil não necessariamente ocupa o mesmo espaço em uma prateleira americana. A Skala passou a reforçar sua origem brasileira e, ao mesmo tempo, ampliar categorias além dos tradicionais cremes de tratamento, com itens como óleos, gelatinas e finalizadores.
Próxima grande aposta está na Ásia
Depois dos Estados Unidos, a companhia mantém operações relevantes em países como Colômbia, Argentina, Portugal e Espanha. Também estruturou presença no Oriente Médio a partir de Dubai e vem crescendo em mercados como África do Sul e Marrocos.
Agora, a Índia aparece como uma das apostas mais importantes para a próxima fase.
A lógica é combinar o tamanho da população asiática com um portfólio construído originalmente para atender uma ampla diversidade de tipos de cabelo. Para a empresa, essa característica brasileira facilita a adaptação a mercados diferentes sem exigir uma reconstrução completa das linhas de produtos.
A estratégia ajuda a explicar uma mudança recente de identidade: a marca passou a usar “Skala Brasil” de forma mais explícita. A origem brasileira, antes pouco explorada, virou parte do argumento comercial no exterior.
Nova fábrica de R$ 150 milhões dará suporte à expansão
O avanço internacional também exige capacidade industrial.
A Skala prepara uma nova fábrica em Uberaba, Minas Gerais, com investimento previsto de R$ 150 milhões. O projeto está em fase inicial de implantação, e a expectativa da companhia é colocar a nova estrutura em operação em 2028.
A unidade deve ampliar capacidade, eficiência e possibilidades de inovação justamente no momento em que a empresa tenta multiplicar sua distribuição internacional.
O movimento transforma a Skala em um exemplo de um fenômeno que vem ganhando espaço entre empresas brasileiras de consumo: usar um produto consolidado no mercado doméstico como ponto de partida para uma operação global, mas sem depender apenas da exportação oportunística.
O desafio agora é maior. Chegar a 100 países é uma métrica de distribuição. Fazer com que 40% do faturamento venha de fora exige transformar presença internacional em vendas recorrentes, margem e relevância dentro de cada mercado.
É nessa segunda etapa que a internacionalização da Skala será realmente testada.